Me veio numa tarde de quinta. E apesar do sol, o vento cantava gelado nas orelhas. Como todo vento de quinta feira de inverno daquele ano. Não sei se foi o olho no olho, ou o simples festejar de borboletas que fez daquele momento, aquele momento.
Eu contava os dias. E desses dias senti as horas. Dessas horas os minutos. O tempo – naqueles dias – não ia muito com a minha cara.
Mas bem, me veio numa tarde de quinta! As 13h até onde me lembro. Eu só queria ganhar um oi. Ela, quem sabe um sorriso. No fim, ganhei o mundo.
Depois daquele dia acho que nunca pude ser o mesmo. Não que um sorriso estatelado na cara mudasse drasticamente os dias de uma pessoa, quem ela era e o que pretendia. Aos poucos me sentia mais seguro. Cada momento era venturoso. Cada dia me completava. Nos entendíamos, éramos um. E sendo apenas um, me nascia um sentimento.
Ah, era mais do que simples arder do peito – lhe garanto. O frio incontrolável na barriga e a mania de ficar inquieto mesmo quando olhando fixamente num ponto – como todo mundo faz – em transe, acordando para o mundo com um piscar de olhos. Nada resumia aquilo que me veio. Aquela voz que queria gritar ao mundo que era minha. Que eu era dela. Que éramos de nós dois e que o mundo então, nosso.
Eu a via sempre. Minutos contados, rápidos, que me valiam o dia. Mas eu lhe via. Os 30 minutos mais vivos de cada dia meu. Ou quem sabe, mais vividos. Mais aproveitados. Mais mais. Nossos minutos.
Mas, caro leitor, o tempo não vai com a minha cara. Ou talvez, não goste de nenhum gauche dessa vida. ‘Vai Carlos ! Vai ser gauche na vida !’. Eu sou gauche. Deus já havia me abandonado há tempos. Meu leitor, esse mundo não é meu...
De minutos fizeram-se horas. E de horas se fez semanas. E de semanas se fez um mês. E de um mês se fez o inferno.
Ah. Quem me dera tê-la aqui. Agora. Comigo. Como sempre foi! Como há de ser! Rezo a cada anjo, a cada arcanjo ou demônio. Para a entidade que for, desde que me escute!
Rezo para que volte! Volte os dias, os momentos, o que sempre foi e o que era antes! Rezo para que ela seja minha para sempre. Que esteja ao meu lado, a cada passo meu nessa estrada. Que sejamos de novo, um do outro. Apenas um.
Ah - caro leitor - não sabes o que é sofrer. Amar, de todo um coração, e não poder estar com a tal amada. Não por incompatibilidade, tensões, brigas e afins. Não poder estar pela saudade, pela distância... e pelo tempo – este que tanto me odeia.
Pois se for para sentir saudades, que eu a sinta a uns sete palmos do chão!
Me veio numa tarde de quinta. Era Setembro. Fim de inverno. Não que eu me preocupe com as estações, mas foi só depois aquele dia, que eu descobri o desabrochar da primavera.
['Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa'
-Los Hermanos ]