6º Dia
Fui pro mundo, e o mundo estava cheio, havia pessoas por todas as ruas ou praças ou parques. Eu não sabia ao certo onde você estava, mas não tinha pressa, era um dia preguiçoso que ia decorrendo se a menor pressa de acabar, ou sequer de começar.
Um certo calor sobre o ambiente dava ao mesmo tempo a sensação de vivacidade de tanta gente, mas para mim, sobretudo, dizia algo mais, algo que me dava paz para calar os olhos, e chorar um belo sorriso.
Não minto, a cidade era outra aquele dia, era riso e festa preenchendo os bueiros e os bancos, árvores e asfalto, as calçadas se transformaram em berços acolhendo a todos, dando a todos a liberdade boa de viver nas ruas; eu passava, olhando de fora sem conseguir entrar no meio de tudo aquilo, não por não querer, estava me guardando, tateando um pouco mais.
Distraído, como se deve estar sempre, te encontro; acompanhada, porém linda. Caminhamos lépidos no meio de tanta gente, numa espécie de carrossel onde nos perdíamos e nos achávamos o tempo todo.
Deitamos na grama, ao som de cachorros, lobos e arnaldos cantando,latindo ou o que quer que tenha sido; não ouvi. Estávamos próximos, mas não tanto quanto eu desejava estar. Logo senti um leve desespero de pensar que talvez eu não tivesse outra chance, um leve desespero de pensar que talvez você não sentisse que as coisas fossem correr bem. Olhei nos seus olhos, e vi o mesmo em teus olhos. Me apeguei ao seu olhar.
Observamos a tarde que parecia tão lenta e preguiçosa, mas que, no entanto, nos tapeou; o tempo é inexorável, e passou tão rápido quanto se pode passar.
Nos abraçamos para nos despedirmos, e o abraço me pareceu uma agressão, não por você, não por nós, mas por ser só mais um abraço, de despedida.
Me arrastei até minha casa; olhando o céu e maldizendo o tempo, e da mesma forma como eu fôra até lá eu tinha duas mãos vazias... E um peito transbordando.